Informação sobre glaucoma, causas, sintomas e tratamento do glaucoma, identificando o diagnóstico de glaucoma primário, secundário, de ãngulo aberto e fechado, com dicas que permitam a cada pessoa identificar este problema em fase prematura.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Diagnóstico do glaucoma

O diagnóstico do glaucoma é baseado na história familiar do indivíduo, nos sinais clínicos e nos exames oftalmológicos.
As revisões oftalmológicas periódicas que habitualmente se realizam com carácter anual para a detecção do glaucoma incluem:
  • Trinometria (Tonometria de aplanação) – exame para medição da pressão intraocular;
  • Oftalmoscopia (Fundo de olho) – exame para avaliar o fundo do olho, para comprovar se existe algum dano no nervo óptico;
  • Gonioscopia – exame para comprovar, em caso de suspeita de glaucoma, a que tipo pertence;
  • Campimetria ou exploração do campo visual - exame para avaliar se há perda do campo visual Esta prova não se realiza rotineiramente, mas é imprescindível para confirmar o diagnóstico e estabelecer o tratamento adequado. Por isso, se realiza quando a trinometria ou a oftalmoscopia dão resultados que levam o oftalmologista a suspeitar que a doença está na sua fase inicial ou tem sérias dúvidas e necessita de confirmar o diagnóstico.

Complicações advindas do Glaucoma

O glaucoma é causado por diferentes enfermidades que, na maioria dos casos, levam a um aumento da pressão intra-ocular. Na infância, desenvolve-se aumento dos diâmetros e opacificação da córnea. Nos glaucomas agudos surge edema corneano. Nesses casos, podem aparecer focos de necrose, isquêmica da íris, perda progressiva da visão periférica e atrofia das fibras ópticas com complicações tardias, incluindo atrofia de todos os componentes oculares, edema corneano e dilatações esclerais.
Conforme foi destacado por Brasileiro Filho et al. (2006), quando ocorre a atrofia do corpo ciliar, diminui-se a produção do humor aquoso ocasionando a diminuição da pressão intra-ocular. Segundo esse autor, nos glaucomas avançados é comum a ocorrência de cataratas, seratomatias degenerativas, alterações do vitreo e atrofia avançada.

Fatores de risco de glaucoma

O principal fator de risco é o aumento da pressão intra-ocular.
Outros são:
  • idade acima de 40 anos
  • pessoas com história familiar de glaucoma têm cerca de 6% de chance de desenvolver a doença.
  • diabéticos e negros são mais propensos a desenvolverem glaucoma de ângulo aberto, e asiáticos têm maior tendência a desenvolver glaucoma de ângulo fechado.
  • miopia elevada
  • fatores vasculares (hipotensão arterial noturna, diabetes, oclusão venosa prévia)
  • enxaqueca.

Sintomas de glaucoma

Inicialmente, o glaucoma raramente apresenta sintomas. Na maioria dos casos, o glaucoma desenvolve-se lentamente, sem que o doente perceba. Uma complicação quase inevitável do glaucoma é a perda visual. A perda visual causada por glaucoma atinge primeiro a visão periférica. No começo a perda é sutil, e pode não ser percebida pelo doente. Perdas moderadas a severas podem ser notadas pelo doente através de exames atentos da sua visão periférica. Isso pode ser feito fechando um olho e examinando todos os quatro cantos do campo visual notando claridade e acuidade, e então repetindo o processo com o outro olho fechado. Frequentemente o paciente não nota a perda de visão até vivenciar a "visão tunelada". Se a doença não for tratada, o campo visual se estreita cada vez mais, obscurecendo a visão central e finalmente progredindo para a cegueira do olho afectado.

Causas do glaucoma

O olho humano contém um líquido transparente conhecido como humor aquoso. Produzido constantemente por uma estrutura chamada corpo ciliar e drenado por uma outra, a malha trabecular, este líquido circula continuamente nas câmaras posterior e anterior do olho.
Quando a área de drenagem do olho, chamada de ângulo de drenagem, fica obstruída, o humor aquoso tende a se acumular dentro do olho provocando um aumento da Pressão Intra-Ocular. Quanto maior a pressão, maiores os riscos de ocorrer uma lesão do nervo óptico.
Existe, porém um tipo de glaucoma em que a Pressão Intra-Ocular não é elevada. Por essa razão, acredita-se que esta doença seja específica do nervo óptico, ou seja, uma neuropatia.
Outros fatores que podem contribuir para o aparecimento do glaucoma são: a miopia, o diabetes, histórico familiar, hipertensão e alguma doença ocular anterior. Certos medicamentos de uso crônico, como vasodilatadores, calmantes, antiparkinsonianos ou corticóides podem também desencadear o glaucoma.
A perda da visão provocada pelo glaucoma é perfeitamente evitável, desde que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos pelo oftalmologista no início do aparecimento da doença.

Glaucoma de pressão normal (tensão baixa)

O glaucoma de pressão normal é uma neuropatia óptica caracterizada por diminuição da camada de fibras nervosas da retina, aumento da relação escavação/disco e defeito de campo visual. No entanto, não existem evidencias de aumento da pressão intra-ocular.
Autores realçam que em idosos, este tipo de glaucoma ocorre sem o aumento da pressão intra-ocular. Embora alguns olhos possam ser hipersensíveis a pressão intra-ocular normal, a maioria dos casos de glaucoma de tensão baixa provavelmente representa um infarto do disco óptico.

Glaucoma congênito

O glaucoma congênito é normalmente descrito como uma obstrução da drenagem aquosa por anomalias de desenvolvimento que é detectado logo após o nascimento ou na infância, envolvendo ambos os olhos. é referido ainda que diversos genes para glaucoma congênito foram identificados, pertencente a várias classes de moléculas, como o citocromos e os fatores de transcrição.
O glaucoma congênito associa-se a uma câmara anterior profunda, embaçamento corneano, sensibilidade a luzes brilhantes (fotofobia), lacrimejamento excessivo e buftalmia.

Glaucoma Secundário

O glaucoma secundário representa casos nos quais uma anormalidade ocular e/ou sistêmica primária seria responsável pelo aumento da pressão ocular acima dos limites da normalidade, levando a neuropatia óptica glaucomatosa.
Segundo Brasileiro Filho et al. (2006), os glaucomas secundários aparecem unilateralmente, como complicação de diversas doenças oculares, como inflamações, traumatismos, hemorragias e neoplasias.

Glaucoma de ângulo fechado

O glaucoma de ângulo fechado, é caracterizado por aumentos súbitos de pressão intraocular. Isto ocorre em olhos susceptíveis quando a pupila dilata e bloqueia o fluxo do fluido através dela, levando à íris bloquear a malha trabecular. Glaucoma de ângulo fechado pode causar dor e reduzir a acuidade visual (visão nublada), e pode levar à perda visual irreversível dentro de um curto período de tempo. É considerada uma situação de emergência oftalmológica e requer tratamento imediato. Muitas pessoas com esse glaucoma podem visualizar um halo em volta de pontos de luz brilhantes, além da perda de visão característica da doença.

Glaucoma primário de ângulo fechado

O glaucoma primário de angulo fechado evolui de forma aguda ou crônica e é caracterizado por anormalidades no tamanho ou na posição anatômica de estruturas conduzindo ao estreitamento do ângulo iridocordiano.
O glaucoma agudo de ângulo fechado é uma emergência ocular, sendo essencial iniciar seu tratamento hipotensivo ocular nas primeiras 24 a 48 horas, para a manutenção da visão. A pressão intra-ocular é normal entre as crises, mas, após muitos episódios, se formam aderências entre a íris, a malha trabecular e a córnea (sinéquias anteriores periféricas), acentuando o bloqueio ao fluxo de saída do humor aquoso evoluindo para a forma crônica.

Glaucoma primário de ângulo aberto

O tipo mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, frequentemente assintomático. Uma das causas pode ser uma obstrução do escoamento do humor aquoso do olho. O humor aquoso é produzido no corpo ciliar do olho, fluindo através da pupila para a câmara anterior. A malha trabecular então drena o líquido para o canal de Schlemm e finalmente para o sistema venoso. Todos os olhos possuem alguma pressão intra-ocular que é causada pela presença de alguma resistência ao fluxo do humor aquoso através da malha trabecular e do canal de Schlemm. Se a pressão intraocular for alta demais (maior do que 21,5 mm Hg), a pressão nas paredes do olho resultará na compressão das estruturas oculares. Entretanto, outros factores, como perturbações no fluxo sanguíneo no nervo óptico podem interagir com a pressão intra-ocular e afectar o nervo óptico. Em um terço dos casos de glaucoma primário de ângulo aberto a pressão intra-ocular parece normal. Esses casos são chamados de glaucoma de pressão normal. Devido ao fato de exames do nervo óptico nem sempre serem realizados juntamente com medidas de pressão intra-ocular em pacientes de risco, o glaucoma de pressão normal é mais raramente diagnosticado até as condições se apresentarem adiantadas.

Glaucoma

O Glaucoma é uma doença que resulta principalmente do aumento da pressão intra-ocular que lesa o nervo óptico e conduz a perda progressiva da visão. É uma das principais causas de cegueira que poderia ser evitada com diagnóstico precoce através de exames oftalmológicos periódicos e controle da pressão intra-ocular.
A frequência com que ocorre a doença, e a dificuldade no diagnóstico precoce, faz do glaucoma um importante problema de saúde pública.
O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado com tratamento adequado e contínuo. Outro aspecto relevante do glaucoma é que, mesmo nos países mais desenvolvidos, apenas 50% dos doentes são efetivamente diagnosticados, considerando-se que em países pobres ou em vias de desenvolvimento esta percentagem seja muito inferior.
A limitação da função visual traz impactos na vida pessoal e profissional dos portadores de glaucoma; além do elevado custo dos exames para diagnóstico da doença e das terapêuticas prolongadas para uma patologia sem cura e com dependência de cuidados para toda a vida. O glaucoma pode afetar qualquer pessoa. Mas existem aquelas que possuem um ou mais fatores de risco, capazes de levar ao desenvolvimento da doença. Os fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença são, pressão intraocular elevada, hipertensão, idade acima de 40 anos, diabetes, histórico familiar, cor da pele negra, longo tratamento com esteróides e/ou altos graus de miopia.

Índice de todos os artigos do Blog relativos a Glaucoma

Para se tornar mais fácil localizar os artigos deste blog relativos a tudo o que diz respeito a GLAUCOMA, aqui fica um índice com todos os artigos:
  1. Glaucoma
  2. Glaucoma primário de ângulo aberto
  3. Glaucoma primário de angulo fechado
  4. Glaucoma de ângulo fechado
  5. Glaucoma Secundário
  6. Glaucoma congênito
  7. Glaucoma de pressão normal (tensão baixa)
  8. Causas do glaucoma
  9. Sintomas de glaucoma
  10. Fatores de risco de glaucoma
  11. Complicações advindas do Glaucoma
  12. Diagnóstico do glaucoma
  13. Prevenção do glaucoma
  14. Tratamento do glaucoma
  15. Tratamento cirúrgico do glaucoma
  16. Tratamento farmacológico do glaucoma
  17. Dicas importantes para tratamento do glaucoma
  18. Antagonistas beta-adrenérgicos no tratamento de glaucoma (Timolol e Carteolol)
  19. Análogos da prostaglandina no tratamento de glaucoma (Latanoprost e Bimatoprost)
  20. Agonistas alfa2-adrenérgicos no tratamento de glaucoma (Clonidina, Apraclonidina e Brimonidina)
  21. Diuréticos inibidores da anidrase carbônica no tratamento de glaucoma (Acetazolamida, Dorzolamida e Brinzolamida)
  22. Agonistas muscarínicos – “mióticos” no tratamento de glaucoma (Pilocarpina, ecotiopato e carbacol)
  23. Agentes hiperosmóticos no tratamento de glaucoma (Manitol, Glicerol e Isosorbida)

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